Abecip projeta R$ 411 bilhões em crédito imobiliário para 2026, apesar da Selic em 14%
Resumo curto: A Abecip projeta R$ 411 bilhões em crédito imobiliário para 2026 (estimativa), um avanço de 25% em relação a 2025. O resultado decorre, segundo a entidade e especialistas citados, do reforço de recursos regulados como SBPE e FGTS, mesmo com a Selic em 14%.
O que a projeção diz — números principais
A Abecip divulgou projeção de R$ 411 bilhões em concessões de crédito imobiliário para 2026 (estimação), o que representaria um avanço de 25% em relação a 2025. Antes da revisão, a própria entidade previa crescimento de 16% para 2026.
- Composição projetada (Abecip): SBPE R$ 185 bilhões (+18%); FGTS + Fundo Social R$ 195 bilhões (+38%); recursos livres R$ 31 bilhões (estável). Total: R$ 411 bilhões.
- No 1º semestre de 2026, o SBPE registrou, segundo quadro citado: Aquisição R$ 67 bilhões (+12%), Produção R$ 27 bilhões (+107%), totalizando R$ 94 bilhões no semestre.
- Dados atribuídos a Fernando Camargo registram R$ 67,2 bilhões para aquisição e R$ 26,5 bilhões para produção no 1º semestre.
- Financiamentos com recursos da poupança: R$ 21 bilhões em julho (crescimento de 21% sobre o mês anterior e 76,7% sobre julho do ano anterior). No acumulado dos sete primeiros meses de 2026 somaram R$ 115,5 bilhões, alta de 36,3% sobre R$ 84,8 bilhões em igual período de 2025.
Por que a estimativa subiu — fatores citados
A revisão da projeção para cima foi atribuída, conforme a matéria, ao desempenho do SBPE e ao reforço das concessões com recursos do FGTS e do Fundo Social do Pré-Sal. Michel Cury, presidente da Abecip, afirmou que o desempenho do SBPE contribuiu para a mudança da estimativa.
Especialistas citados indicam duas explicações principais:
- Maior disponibilidade de recursos regulados (SBPE e FGTS) ampliaria o volume de crédito mesmo com custo elevado do funding;
- Aumento relevante do crédito para produção (financiamento de novos empreendimentos) no 1º semestre — crescimento de 107% na comparação anual — que ajuda a elevar o total do SBPE.
Juros e custo do crédito: o que os dados mostram
A matéria registra que a Selic está em 14%. Ela permaneceu em cerca de 15% entre junho de 2025 e início de março de 2026, quando houve queda de 0,25 ponto percentual. Apesar desse patamar alto da Selic, a projeção de crescimento no crédito imobiliário se mantém.
Especialistas citados contextualizam esse comportamento:
- Alberto Ajzental (FGV) ressaltou que a variação da Selic não se traduz de forma integral nas taxas dos financiamentos imobiliários; há um repasse parcial. Ajzental estimou que uma variação de 2 a 2,5 pontos percentuais na Selic costuma equivaler a cerca de 1 ponto percentual na taxa do financiamento imobiliário.
- Ajzental também mencionou que existe um piso para taxas de financiamento imobiliário (exemplo citado: quando a Selic esteve em 2% ao ano, o mínimo ofertado ficava entre 8,5% e 9%). A matéria cita ainda que, com Selic próxima de 15%, o crédito ficou em torno de 11,5% a 12% (exemplo citado).
- Dario Ferraço (RE/MAX SF) afirmou que há disponibilidade de funding, mas que esse dinheiro continua caro por causa da taxa de juros.
Setores e vendas: onde o mercado se move
O levantamento citado (CBIC/Brain) indica dinâmica heterogênea nas vendas por faixa de produto no último trimestre: queda de 3,2% nas vendas de unidades de médio e alto padrão, enquanto imóveis enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida tiveram expansão de 15,5%.
Impactos e interpretações cautelosas
Os dados sugerem que o volume projetado de crédito para 2026 é sustentado por fontes reguladas (SBPE e FGTS) e por um aumento da concessão à produção de novos empreendimentos. No entanto, trata-se de uma projeção da Abecip e não de um montante realizado para o ano inteiro.
Limitações relevantes para interpretar corretamente os números:
- A projeção de R$ 411 bilhões é uma estimativa; não representa valor efetivamente concedido até o fechamento do ano.
- Há pequenas diferenças de arredondamento entre números apresentados em quadro e valores atribuídos a especialistas (por exemplo, R$ 67 bi vs R$ 67,2 bi; R$ 27 bi vs R$ 26,5 bi).
- Algumas referências temporais na matéria (por exemplo, “Na quarta-feira (26)” e o mês citado como “julho” em determinados trechos) não vêm acompanhadas de indicação explícita de ano no trecho isolado, o que gera ambiguidade sobre a data exata na leitura isolada.
O que é útil para leitores (compradores, corretores e incorporadoras)
- Para comparar cenários: observe a composição da oferta de recursos (SBPE vs FGTS vs recursos livres) — a maior participação de FGTS e SBPE foi citada como motor do aumento projetado.
- Para avaliar custo do crédito: considere que a Selic elevada tende a manter o custo do funding alto, mas o repasse às taxas de financiamento imobiliário costuma ser parcial e há um piso técnico observado em períodos anteriores.
- Para entender demanda por produto: os dados citados mostram crescimento das vendas no segmento mais popular (Minha Casa) e recuo em médio/alto padrão no último trimestre citado.
- Confirme: por se tratar de projeção, acompanhe divulgações oficiais da Abecip e dos agentes reguladores para ver se os valores projetados se concretizam ao longo do ano.
Conclusão: A projeção da Abecip de R$ 411 bilhões em crédito imobiliário para 2026 combina aumento do SBPE e dos recursos do FGTS/Fundo Social com avanço expressivo do financiamento à produção no semestre. Esses fatores explicam como o volume projetado sobe mesmo com Selic em 14%, mas a estimativa exige acompanhamento para confirmação ao longo do ano.
Fonte consultada: Portas — acessar publicação original.
