Incorporadoras defendem manutenção do novo modelo de crédito imobiliário enquanto bancos negociam ajustes antes da implementação integral em jan. de 2027
O novo modelo de crédito imobiliário, que começou a ser aplicado de forma gradual em outubro de 2025 e tem implementação integral prevista para janeiro de 2027, conta com defesa das incorporadoras, mas enfrenta negociações entre bancos e o Banco Central em pontos-chave, sobretudo o teto de 12% ao ano para financiamentos de até R$ 2,25 milhões.
O fato em resumo
Instituições financeiras estão negociando com o Banco Central ajustes ao modelo que passou a vigorar de forma gradual em outubro de 2025; a implementação integral está prevista para janeiro de 2027. O principal ponto de atrito é o limite de 12% ao ano nos financiamentos de imóveis de até R$ 2,25 milhões.
Contexto e números relevantes
- Segundo representantes dos bancos, manter a taxa de 12% ao ano é difícil enquanto a Selic está em 14% ao ano.
- O novo modelo ampliou os recursos do SBPE: entre janeiro e junho o SBPE destinou R$ 67,2 bilhões à compra de imóveis, alta de 12% na comparação anual (em 2025 o valor emprestado havia recuado 6%).
- O crédito da poupança para obras cresceu 107%, para R$ 26,5 bilhões, após uma queda de 30% no ano anterior; para incorporadoras, esse funding reduz a dependência de captações mais caras no mercado de capitais.
- No primeiro semestre de 2026, as vendas do mercado de média e alta renda caíram 3,2% ante igual período de 2025, para 112,5 mil unidades; no conjunto do mercado, vendas de imóveis novos cresceram 5,4%, sustentadas pelo Minha Casa, Minha Vida, que usa recursos do FGTS.
Por que o teto de 12% gera disputa
O limite de 12% ao ano incide especificamente sobre financiamentos de até R$ 2,25 milhões e é visto pelas incorporadoras como parte do arranjo que ampliou o SBPE e permitiu ao banco realocar recursos para outras modalidades — operações adicionais que podem ter taxas livres. Já os bancos argumentam que, com a Selic em 14% ao ano, manter essa taxa fixa é difícil, o que reduziria margem e apetite para crédito.
Impactos e interpretações cautelosas
As declarações reunidas mostram que o novo modelo aumentou oferta de recursos via SBPE e que incorporadoras e entidades como a CBIC defendem mantê-lo. Ao mesmo tempo, executivos do setor bancário e analistas apontam a taxa básica elevada como limitador do apetite ao crédito, o que pode pressionar a operabilidade do teto de 12% conforme está hoje. Esses elementos sugerem tensão entre metas regulatórias, custo de funding e viabilidade comercial das operações.
O que permanece por confirmar
- Não há detalhamento público sobre quais instituições financeiras específicas participam das negociações com o Banco Central nem sobre os ajustes concretos em debate.
- Também não foi informado se o limite de 12% será alterado ou se haverá adiamento da implementação integral prevista para janeiro de 2027. O Banco Central não comentou as negociações citadas.
Utilidade para compradores, incorporadoras e analistas
Para compradores e agentes do mercado, o cronograma (gradual desde outubro de 2025 e integral em janeiro de 2027) é o marcador temporal relevante: mudanças dependerão das negociações em curso. Incorporadoras vêem no aumento de funding do SBPE uma redução da dependência de captações mais caras; bancos destacam a Selic como freio ao apetite. Confirmar as decisões finais do Banco Central e eventuais revisões ao teto de 12% é central para avaliar a oferta de crédito no curto prazo.
Fonte consultada: Portas — acessar publicação original.
